Identificando sinais precoces
Essa é uma pergunta que ouço frequentemente no meu consultório.
Antes de procurar ajuda, as mães se deparam com momentos de imensa angústia.
A percepção de que o comportamento do filho “não é igual ao das outras crianças” gera grande aflição.
Muitas chegam após uma grande peregrinação na internet e comparação com o comportamento de outras crianças.
Outras chegam após a observação de um familiar ou após terem sido chamadas para uma conversa na escola.
Quando procurar um especialista?
Se você se sente incomodado ou incomodada com algum aspecto comportamental do seu filho, a melhor solução é, de fato, procurar ajuda de um especialista com boa formação e experiência.
É importante ter a consciência de que, em muitos casos, até mesmo para o especialista essa resposta não será fácil.
A identificação de um neurodesenvolvimento atípico e, em alguns casos, o fechamento do diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) não é simples e pode demandar tempo.
Alguns pacientes passam até mesmo meses ou anos sem um diagnóstico estabelecido.
Muitas vezes — principalmente em casos leves — serão necessárias várias avaliações.
Para alguns pacientes, é indicada a aplicação de instrumentos padronizados, como o ADIR e o ADOS-2, considerados internacionalmente como “padrão-ouro”.
Mesmo após a aplicação desses instrumentos, a dúvida clínica pode persistir.
O importante, mesmo sem uma conclusão diagnóstica, é a detecção dos sinais e sintomas e o início do tratamento precoce.
Sinais precoces de neurodesenvolvimento atípico
Abaixo falarei sobre alguns dos sinais precoces.
Porém, é importante saber que a presença deles — ou de alguns deles — não indica necessariamente que o seu filho tenha TEA, e sim que necessita de avaliação especializada.
A observação dos sinais abaixo pode indicar um neurodesenvolvimento atípico e a presença do Transtorno do Espectro Autista em crianças menores:
1. Dificuldade em se comunicar e interagir
- A criança não aponta o que quer;
- Parece não atender — ou atende poucas vezes — quando é chamada pelo nome;
- Apresenta pouco contato visual, ou um contato visual não sustentado;
- Apresenta pouca resposta recíproca ao sorriso;
- Não mostra os brinquedos;
- Prefere brincar sozinha e evita a interação com outras crianças;
- Apresenta atraso de fala;
- Utiliza os pais como instrumento (por exemplo: ao tentar abrir uma porta, não pede nem aponta — apenas pega na mão do pai e leva até a maçaneta).
2. Comportamentos repetitivos e interesses restritos
- Comportamentos motores repetitivos, como balançar as mãos ou andar nas pontas dos pés (estereotipias);
- Repete palavras que acabaram de ser ditas (ecolalia), sem intenção comunicativa;
- Enfileira ou empilha brinquedos, em vez de utilizá-los de forma adequada;
- Apresenta intolerância excessiva a mudanças de rotina;
- Seletividade alimentar;
- Incomoda-se com barulhos (como fogos de artifício) ou certas texturas.
Caso você perceba alguns desses sinais no seu filho, não vale a pena carregar essa angústia sozinha.
Procure um especialista em neurodesenvolvimento.
O diagnóstico pode não ser imediato, mas o cuidado e o tratamento precoce fazem toda a diferença.
