Sou médica neurologista e neuropediatra, com mais de 14 anos de experiência clínica, hospitalar e acadêmica.
Sobre a minha formação:
Desde o início da minha trajetória profissional, que se iniciou na graduação na Universidade Federal de Minas Gerais ( UFMG ) em 2006 meu interesse pela neurologia era notório… A psicologia explica: as nossas escolhas profissionais costumam ter um fator de cunho emocional decisivo… Por ter tido um avô autista e uma mãe TDAH, meu interesse nos transtornos do neurodesenvolvimento esteve sempre ali.
A vivência da residência médica em neuropediatria pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) me permitiu conhecer ainda de forma mais profunda os transtornos do neurodesenvolvimento e entender melhor as dores e perspectivas das famílias.
O mestrado que posteriormente concluí na instituição me permitiu vivenciar também a realidade de pacientes que apresentavam alterações genéticas e transtornos do neurodesenvolvimento. No início da minha carreira, o autismo, o tdah, ainda não eram tão conhecidos… o aumento do número de casos foi nítido e aí a minha busca por formação para auxiliar meus pacientes foi ainda maior. Por isso, busquei diversas capacitações complementares que me permitiram aprofundar meus conhecimentos em relação a instrumentos de avaliação diagnóstica e as práticas terapêuticas em si.
Aprendi a aplicar ABA, em Denver e a conduzir as terapias para auxiliar na orientação dos pais e na discussão com as equipes multiprofissionais.
Durante a minha prática clínica, atendi por anos pacientes no SUS cujas famílias ao se depararem com alguns diagnósticos não conseguiam as terapias e os tratamentos adequados para os seus filhos. Para mim, a dor dessas famílias ainda era mais evidente quando encaminhava um paciente que atendia em consultório particular para tratamento e via claramente uma boa evolução em um espaço curto de tempo. Em cerca de 3 a 6 meses era possível observar ganhos. No SUS, os pacientes não tinham acesso as intervenções terapêuticas de forma adequada. Infelizmente, percebi que estava medicando mais meus pacientes do serviço público do que os pacientes particulares por falta acesso a intervenção. Aquela situação me motivou a levantar a bandeira da luta pela causa do autismo… A minha luta foi realmente praticada com horas e horas de trabalho não remunerado e se consolidou em política pública… pude desenvolver o projeto e coordenar um Centro de Referência de Autismo na região da grande São Paulo.
A semente foi plantada e germinou. Porém, por motivos que extrapolam a razoabilidade e se opõe a qualquer perspectiva humanizada, não pude dar continuidade ao trabalho com a comunidade. Me restou torcer fortemente para darem continuidade ao meu trabalho iniciado por lá. Toda essa história me trouxe uma bagagem técnica, política, humana e ética. Uma bagagem orgulhosamente amorosa… Essa bagagem me permitiu a realização deste sonho: a criação de um espaço detalhadamente pensado para que eu possa continuar auxiliando meus pacientes e suas famílias nas suas trajetórias.
Um projeto que me permite não somente o exercício de um serviço de excelência técnica e científica, mas também que possibilita o exercício dos meus princípios e valores por meio da prática de uma medicina humanizada, colaborativa, acolhedora e que vibra amorosidade.